O IC volta ao ataque e agora e como MEC. O bicho vai pegar.

Carta aberta ao Ministro da Educação

Devido às notícias de um acordo entre o MEC e instituições espanholas (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14072), a diretoria da APEESP escreveu uma carta aberta ao Ministro da Educação, Fernando Haddad:

“Ao Exmo. Ministro da Educação

Prof. Dr. Fernando Haddad

Exmo. Sr.

Surpreendidos pela notícia veiculada no portal do MEC sobre o acordo de difusão do espanhol no Brasil que hoje o Ministério da Educação celebra com o Instituto Cervantes, com a finalidade de “promover o ensino do idioma no país” “por meio da educação a distância”, a APEESP – Associação de Professores de Espanhol do Estado de São Paulo –, vem solicitar, através desta carta aberta, informações mais precisas em torno de dois aspectos que motivam nossa preocupação.

Em primeiro lugar, segundo a informação veiculada no próprio portal do MEC, o acordo incluiria que “o Instituto Cervantes [...] será responsável por formar professores brasileiros”. Desejaríamos entender a que aspectos e níveis da formação docente visa o acordo, já que a legislação vigente prevê que a habilitação para o ensino regular só pode provir de instituições de ensino superior, não sendo esse o caso do Instituto Cervantes. Chama mais ainda a atenção tal informação quando nos remetemos às palavras do próprio ministro, que, em declaração veiculada nesse mesmo portal em 02/09/08, intitulada “Ministro atribui a universidades públicas a missão de formar professores”, disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=11172&Itemid=99999999, entre outras coisas, destacou o papel da universidade pública na formação do magistério.

Por outra parte, se bem valorizamos a introdução de novas tecnologias no ensino, e da mesma maneira, o apoio que instituições nacionais ou estrangeiras possam prestar a respeito, preocupa-nos a informação, também constante no portal do MEC, de que o acordo prevê uma incidência que vai além do tecnológico e parece estender-se ao núcleo conceitual do planejamento educacional do país. Com efeito, a adoção da “metodologia do centro de ensino” (o Instituto Cervantes), de seu material didático e de seu “ambiente virtual” (que por incluir um desenho curricular não é apenas uma ferramenta), implica um evidente impacto no desenho de objetivos e conteúdos. Embora o conhecimento de diversas metodologias e pontos de vista, inclusive dos adotados em outros países e com outras finalidades, possa ser um ganho para a formação continuada do docente, o ganho seria convertido em perda se esse conhecimento particular da visão de uma instituição se oficializasse como orientação geral. Desse modo, não apenas inibiria a pluralidade de enfoques, mas também deixaria o ensino de espanhol no ensino regular fora de sua necessária interação com as outras disciplinas, ao contrário do que recomendam as Orientações Curriculares do próprio MEC, afastando-o, assim, da participação na formação integral do cidadão brasileiro.

 

São Paulo, 04 de agosto de 2009

Diretoria da APEESP
Presidente: Gustavo Leme Cezário Garcia
Vice-Presidente: Adrián Pablo Fanjul
1º Secretário: Benivaldo José de Araújo Júnior
2ª  Secretária: Maria Sílvia Pereira Rodrigues Alves Barbosa
1º Tesoureiro: Jamilson José da Silva
2º Tesoureiro: David Aparecido de Melo”

 

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A APEESP disponibiliza outros textos sobre o assunto:

“ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DE ESPANHOL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
Rio de Janeiro, 4 de agosto de 2009.

Excelentíssimo Senhor Ministro da Educação Fernando Haddad,
 
É com surpresa e muita indignação que recebemos hoje a notícia anexa, publicada na imprensa, sobre um acordo entre o Instituto Cervantes e o MEC para “formação” de professores de espanhol no nosso país.

 Devemos lembrar que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 62, afirma (grifo nosso): “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.” Desconhecemos o conteúdo do referido acordo para “formação” de professores, mas, segundo as informações que possuímos até o momento, o Instituto Cervantes não é uma universidade ou um instituto superior de educação e, portanto, não está habilitado a oferecer cursos de licenciatura no Brasil.

Também é importante citar que, segundo dados proporcionados pelo próprio MEC por intermédio do INEP, há no Brasil, hoje, 382 cursos autorizados ou reconhecidos de graduação em Letras-Espanhol, alguns com tradição de mais de meio século, oriundos das antigas faculdades de Letras Neolatinas.

Nós, professores de espanhol do Rio de Janeiro, exigimos mais detalhes sobre esse acordo e, principalmente, mais respeito ao trabalho que há décadas desenvolvemos em prol do ensino de espanhol no Brasil.

Necessitamos, sim, de vagas para a Licenciatura em Espanhol nas universidades públicas, novos concursos para professores da área em todos os âmbitos e melhores condições de trabalho. Do que, definitivamente, não precisamos são acordos com instituições estrangeiras para uma suposta formação de professores, atividade que nossas universidades desenvolvem muito bem, apesar de todas as dificuldades, há muitos anos.

Atenciosamente,
Associação de Professores de Espanhol do Estado do Rio de Janeiro 
Diretoria do Biênio 2008-2010
Luciana Maria Almeida de Freitas
Elda Firmo Braga
Fábio Sampaio de Almeida
Maria Cristina Giorgi
Viviane Conceição Antunes Lima
Marianna Montandon
Aline Machado da Silva”

http://www.apeesp.com.br


Resistirá

UMBERTO ECO 

Tenemos tres tipos de memoria. La primera es orgánica: es la memoria de carne y sangre que administra nuestro cerebro. La segunda es mineral, y la humanidad la conoció bajo dos formas: hace miles de años era la memoria encarnada en las tabletas de arcilla y los obeliscos –algo muy habitual en Egipto–, en los que se tallaban toda clase de escritos; sin embargo, este segundo tipo corresponde también a la memoria electrónica de las computadoras de hoy, que están hechas de silicio. Y hemos conocido otro tipo de memoria, la memoria vegetal, representada por los primeros papiros –también muy habituales en Egipto– y, después, por los libros, que se hacen con papel. Permítanme soslayar el hecho de que, en cierto momento, el pergamino de los primeros códices fuera de origen orgánico, y que el primer papel estuviera hecho de tela y no de celulosa. Para simplificar, permítanme designar al libro como memoria vegetal. 
En el pasado, éste fue un lugar dedicado a la conservación de los libros, como lo será también en el futuro; es y será, pues, un templo de la memoria vegetal. Durante siglos, las bibliotecas fueron la manera más importante de guardar nuestra sabiduría colectiva. Fueron y siguen siendo una especie de cerebro universal donde podemos recuperar lo que hemos olvidado y lo que todavía no conocemos. Si me permiten la metáfora, una biblioteca es la mejor imitación posible de una mente divina, en la que todo el universo se ve y se comprende al mismo tiempo. Una persona capaz de almacenar en su mente la información proporcionada por una gran biblioteca emularía, en cierta forma, a la mente de Dios. Es decir, inventamos bibliotecas porque sabemos que carecemos de poderes divinos, pero hacemos todo lo posible por imitarlos.
Construir, o mejor, reconstruir una de las bibliotecas más grandes del mundo puede sonar como un desafío o una provocación. A menudo, en artículos periodísticos o en papers académicos, ciertos autores se enfrentan con la nueva era de las computadoras e Internet, y hablan de la posible “muerte de los libros”. Sin embargo, el hecho de que los libros puedan llegar a desaparecer –como los obeliscos o las tablas de arcilla de las civilizaciones antiguas– no sería una buena razón para suprimir las bibliotecas. Por el contrario, deben sobrevivir como museos que conservan los descubrimientos del pasado, de la misma manera que conservamos la piedra de Rosetta en un museo porque ya no estamos acostumbrados a tallar nuestros documentos en superficies minerales.

 

 

http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-1101.html   el 12/02/2009.

 

 

18 segundos


18 segundos from Macgregor on Vimeo.

Una historia en Blanco y Negro
http://www.radioteca.net/audios/01030035.mp3
Una historia en Blanco y Negro
Mamá y papá van a la cama


"La coladera" y los bárbaros

Para el líder de la oposición, Mariano Rajoy, España (pronúnciese como en un grito, de un sólo golpe de voz y con un taconazo marcial, por favor) se ha convertido en los años de gobierno de Zapatero en una “coladera”, por donde extranjeros sin trabajo y sin escrúpulos entran libremente, amenazando con cambiar la faz de nuestro país, con demoler nuestros usos y costumbres, además de destruir nuestra prosperidad. Tal vez por ello, en pleno período electoral, a las autoridades españolas se les ha dado por cumplir a rajatabla la normativa europea para controlar la inmigración. Con rigor, y parece que incluso con entusiasmo, la policía se dedica a evitar que extranjeros indeseables pisen la tierra de promisión española, mandándolos de vuelta por donde han venido.

El otro día desayuné leyendo en la primera página del Globo una noticia que, según el titular, ponía en crisis las relaciones diplomáticas entre España y Brasil. Luego me extrañó que en los medios españoles que consulté el mismo día y los siguientes no se hiciese ni una sola mención al asunto. Y yo que, entre un sorbo y otro de café brasileño tipo-exportación, ya me sentía como un japonés en Manhattan en plena Segunda Guerra Mundial… [nota aclaratoria: “tipo-exportación” aún es la denominación común en los supermercados para los productos nacionales de calidad [sub-nota nostálgica y levemente ideológica: cuando hace unos años pasé unos meses en Recife, nordeste del país, me sorprendió comprobar que la gente que yo conocía sólo tenía en su casa café soluble de la marca suiza Nestlé]].

El escándalo estalló cuando cayeron en la fina red de los cazadores de inmigrantes ilegales dos estudiantes de tercer ciclo de Ciencia Política, que pretendían participar en un congreso de su especialidad en Lisboa. No era la primera vez que los medios brasileños noticiaban un caso semejante. Para los Canes Cerberos españoles, aquellos visitantes ocasionales no cumplían con los requisitos para entrar en Europa, que son, a saber, tener billete de ida y vuelta, demostrar que se dispone de una cantidad mínima de dinero, unos 70 euros por día, poseer tarjeta de crédito y extracto bancario con el saldo exigido, además de poder exhibir un comprobante de reserva de un hotel o algún documento que demuestre que se tiene alojamiento para el tiempo que dure la estancia.

Como los estudiantes en cuestión no tenían tarjeta de crédito [nota indagatoria y sutilmente biográfica: ¿tanto han engordado las vacas desde que estoy fuera del país que hoy todos los estudiantes españoles tienen tarjeta de crédito y disponen de 70 euros por día?], fueron sumariamente extraditados. En el ínterin, estuvieron retenidos en una sala abarrotada y sin asientos, en la que pasaron diez horas sin comer ni beber, sin poder hacer llamadas, lejos de su equipaje y sin tener idea de lo que estaba ocurriendo.
Sólo la punta del iceberg. La cantidad anual de brasileños repatriados, deportados y expulsados es asustadora. El año pasado fueron mil doscientos diecisiete. La mayoría debían ser realmente miserables, y quizás por eso el asunto ha llegado a los papeles y a las oficinas diplomáticas sólo ahora, cuando los implicados son hijos de la cada vez más exigua pero resistente clase media.

España se ha convertido en referencia para mucha gente que pretende buscarse la vida fuera de Brasil, pero también es un destino preferente para estudiantes de doctorado, muchos de ellos becados incluso por el gobierno español. Lo que demuestra el caso es, en primer lugar, la extensión del prejuicio que considera que todo brasileño es un muerto de hambre y que como a tal se le debe tratar [nota ilustrativa: uno de los estudiantes deportados contó que cuando se quejó por el tratamiento canino que estaban recibiendo, un policía nacional le respondió que estaban siendo tratados como lo que eran, perros]. La declaración del embajador español en Brasil no hace sino corroborar lo que ya sabemos. Según él, la rigurosa aplicación de la normativa es aleatoria, lo que se debe entender de la siguiente manera, la actitud prejuiciosa no es excepción, forma parte del procedimiento. Si eres brasileño lo empiezas a tener difícil. Si eres morenito, la cosa se complica aún más. Si además eres mujer, estás jodida [nota escéptica: siempre me he preguntado cómo es posible que mujeres inmigrantes vivan como esclavas en casas de putas que son, al fin y al cabo, lugares públicos, que no es difícil conocer, susceptibles de fiscalización]. En vez de luchar contra las mafias que contratan trabajadores en régimen de (semi-)esclavitud, la respuesta del Estado es humillar y colocar bajo sospecha a los ciudadanos de los países que nutren las alcantarillas del lucro empresarial.

La reacción del Estado brasileño no se hizo esperar. La llamada reciprocidad diplomática. Ojo por ojo, diente por diente. Exigir a los viajeros españoles exactamente lo mismo que se exige allá a los brasileños. La prensa jaleando la revancha, las cartas al director de los periódicos rebosando de expresiones de odio a ellos, los españoles, por maltratarnos a nosotros, los brasileños. No niego que una de mis primeras reacciones fue más bien sarcástica. Como si el Estado brasileño estuviese pleiteando su exclusivo derecho de maltratar a los ciudadanos de Brasil.

En mi condición de extranjero, me resulta extremadamente difícil considerarme parte de ellos o de nosotros, sea cual sea la perspectiva adoptada. Lo mismo me pasa cuando oigo hablar de los intereses (económicos) españoles, que no me siento ni un poco concernido. Esa especie de filiación emocional que produce la nación no me conmueve. Mis filiaciones se sitúan en otros lugares.

Lo percibo nítidamente cuando leo, por ejemplo, a raíz de aquel desaforo del rey con Chávez, un editorial de El País hablando sobre los intereses del país (el de verdad, no el periódico) en Latinoamérica, sobre la participación de las corporaciones españolas en la mejora de infraestructuras, en la “modernización de los sistemas financieros” de los países en desarrollo [nota histórica: recuérdese que el monarca impaciente le soltó aquel exabrupto al charlatán de Chavez, pero sólo abandonó, indignado, la cumbre cuando el presidente nicaragüense, Daniel Ortega, criticó la actuación de las empresas españolas en el continente]. Sólo hay que ver lo que hicieron las empresas españolas en Argentina, con su política de tierra quemada. Y después hay que tener cara para hablar, desde la responsabilidad y la razón, de la necesidad de frenar el movimiento migratorio desde ese país, por ejemplo, hacia España.

Supongo que es por filantropía, para modernizar este obsoleto sistema financiero, por lo que el Banco Santander cobra a sus clientes brasileños en algunos casos intereses de entorno al 139%. ¿Será por eso que el mismo banco puede ofrecer en España créditos de hasta tres mil euros por seis meses al 0% de interés? [nota biográfico-económica: por imperativo legal soy cliente de ese banco español. Cuando aprobé una oposición en la Universidad de São Paulo fui obligado a cobrar mi sueldo a través del Banespa, antiguo banco público que en aquel momento ya había sido privatizado y comprado por el Santander. Como ahora mi agencia está en Ipanema (a escasos cincuenta metros de la playa, ¡oh, consuelo!), se me aplican esas estrategias modernizadoras. Siendo así, en términos financieros soy rotundamente brasileño, sumergido en esa maraña de intereses estratosféricos, amenaza de inflación y deuda pública del que tanto se aprovechan los bancos].

Por esas y por otras, dado el tamaño de esta selva económica, Brasil es un chollo para las empresas españolas, una inmejorable oportunidad de negocio. A esta altura no es necesario aclarar que quienes pagan el pato son los brasileños. Sobre todo esos que se buscan la vida donde pueden. Para que luego me digan que es necesario poner racionalidad en la política migratoria. ¿De qué racionalidad me hablas, cara pálida?

13 de marzo de 2008
 
Xoán Carlos Lagares
 
http://librodenotas.com/cartasdesdebrasil/13329/la-coladera-y-los-barbaros
 
 

¿Último discurso de Fidel?

Queridos compatriotas:

Les prometí el pasado viernes 15 de febrero que en la próxima reflexión abordaría un tema de interés para muchos compatriotas. La misma adquiere esta vez forma de mensaje.

Ha llegado el momento de postular y elegir al Consejo de Estado, su Presidente, Vicepresidentes y Secretario.

Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo.

Conociendo mi estado crítico de salud, muchos en el exterior pensaban que la renuncia provisional al cargo de Presidente del Consejo de Estado el 31 de julio de 2006, que dejé en manos del Primer Vicepresidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. El propio Raúl, quien adicionalmente ocupa el cargo de Ministro de las F.A.R. por méritos personales, y los demás compañeros de la dirección del Partido y el Estado, fueron renuentes a considerarme apartado de mis cargos a pesar de mi estado precario de salud.

Era incómoda mi posición frente a un adversario que hizo todo lo imaginable por deshacerse de mí y en nada me agradaba complacerlo.

Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Por otro lado me preocupó siempre, al hablar de mi salud, evitar ilusiones que en el caso de un desenlace adverso, traerían noticias traumáticas a nuestro pueblo en medio de la batalla. Prepararlo para mi ausencia, sicológica y políticamente, era mi primera obligación después de tantos años de lucha. Nunca dejé de señalar que se trataba de una recuperación "no exenta de riesgos".

Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer.

A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.

En breves cartas dirigidas a Randy Alonso, Director del programa Mesa Redonda de la Televisión Nacional, que a solicitud mía fueron divulgadas, se incluían discretamente elementos de este mensaje que hoy escribo, y ni siquiera el destinatario de las misivas conocía mi propósito. Tenía confianza en Randy porque lo conocí bien cuando era estudiante universitario de Periodismo, y me reunía casi todas las semanas con los representantes principales de los estudiantes universitarios, de lo que ya era conocido como el interior del país, en la biblioteca de la amplia casa de Kohly, donde se albergaban. Hoy todo el país es una inmensa Universidad.

Párrafos seleccionados de la carta enviada a Randy el 17 de diciembre de 2007:

"Mi más profunda convicción es que las respuestas a los problemas actuales de la sociedad cubana, que posee un promedio educacional cercano a 12 grados, casi un millón de graduados universitarios y la posibilidad real de estudio para sus ciudadanos sin discriminación alguna, requieren más variantes de respuesta para cada problema concreto que las contenidas en un tablero de ajedrez. Ni un solo detalle se puede ignorar, y no se trata de un camino fácil, si es que la inteligencia del ser humano en una sociedad revolucionaria ha de prevalecer sobre sus instintos.

"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir.

"Pienso como Niemeyer que hay que ser consecuente hasta el final."

Carta del 8 de enero de 2008:

"...Soy decidido partidario del voto unido (un principio que preserva el mérito ignorado). Fue lo que nos permitió evitar las tendencias a copiar lo que venía de los países del antiguo campo socialista, entre ellas el retrato de un candidato único, tan solitario como a la vez tan solidario con Cuba. Respeto mucho aquel primer intento de construir el socialismo, gracias al cual pudimos continuar el camino escogido."

"Tenía muy presente que toda la gloria del mundo cabe en un grano de maíz", reiteraba en aquella carta.

Traicionaría por tanto mi conciencia ocupar una responsabilidad que requiere movilidad y entrega total que no estoy en condiciones físicas de ofrecer. Lo explico sin dramatismo.

Afortunadamente nuestro proceso cuenta todavía con cuadros de la vieja guardia, junto a otros que eran muy jóvenes cuando se inició la primera etapa de la Revolución. Algunos casi niños se incorporaron a los combatientes de las montañas y después, con su heroísmo y sus misiones internacionalistas, llenaron de gloria al país. Cuentan con la autoridad y la experiencia para garantizar el reemplazo. Dispone igualmente nuestro proceso de la generación intermedia que aprendió junto a nosotros los elementos del complejo y casi inaccesible arte de organizar y dirigir una revolución.

El camino siempre será difícil y requerirá el esfuerzo inteligente de todos. Desconfío de las sendas aparentemente fáciles de la apologética, o la autoflagelación como antítesis. Prepararse siempre para la peor de las variantes. Ser tan prudentes en el éxito como firmes en la adversidad es un principio que no puede olvidarse. El adversario a derrotar es sumamente fuerte, pero lo hemos mantenido a raya durante medio siglo.

No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.

Gracias

http://www.clarin.com/diario/2008/02/19/um/m-01610783.htm

 


Ruidos de Baño

Paradojas

Eduardo Galeano

La mitad de los brasileños es pobre o muy pobre, pero el país de Lula es el segundo mercado mundial de las lapiceras Montblanc y el noveno comprador de autos Ferrari, y las tiendas Armani de Sao Paulo venden más que las de Nueva York.

Pinochet, el verdugo de Allende, rendía homenaje a su víctima cada vez que hablaba del "milagro chileno". El nunca lo confesó, ni tampoco lo han dicho los gobernantes democráticos que vinieron después, cuando el "milagro" se convirtió en "modelo": ¿qué sería de Chile si no fuera chileno el cobre, la viga maestra de la economía, que Allende nacionalizó y que nunca fue privatizado?


En América nacieron, no en la India, nuestros indios. También el pavo y el maíz nacieron en América, y no en Turquía, pero la lengua inglesa llama turkey al pavo y la lengua italiana llama granturco al maíz.


El Banco Mundial elogia la privatización de la salud pública en Zambia: "Es un modelo para el Africa. Ya no hay colas en los hospitales". El diario The Zambian Post completa la idea: "Ya no hay colas en los hospitales, porque la gente se muere en la casa".

Hace cuatro años, el periodista Richard Swift llegó a los campos del oeste de Ghana, donde se produce cacao barato para Suiza. En la mochila, el periodista llevaba unas barras de chocolate. Los cultivadores de cacao nunca habían probado el chocolate. Les encantó.

Los países ricos, que subsidian su agricultura a un ritmo de mil millones de dólares por día, prohíben los subsidios a la agricultura en los países pobres. Cosecha récord a orillas del río Mississippi: el algodón estadunidense inunda el mercado mundial y derrumba el precio. Cosecha récord a orillas del río Níger: el algodón africano paga tan poco que ni vale la pena recogerlo.

Las vacas del norte ganan el doble que los campesinos del sur. Los subsidios que recibe cada vaca en Europa y en Estados Unidos duplican la cantidad de dinero que en promedio gana, por un año entero de trabajo, cada granjero de los países pobres.

Los productores del sur acuden desunidos al mercado mundial. Los compradores del norte imponen precios de monopolio. Desde que en 1989 murió la Organización Internacional del Café y se acabó el sistema de cuotas de producción, el precio del café anda por los suelos. En estos últimos tiempos, peor que nunca: en América Central, quien siembra café cosecha hambre. Pero no se ha rebajado ni un poquito, que yo sepa, lo que uno paga por beberlo.


Carlomagno, creador de la primera gran biblioteca de Europa, era analfabeto.

Joshua Slocum, el primer hombre que dio la vuelta al mundo navegando en solitario, no sabía nadar.


Hay en el mundo tantos hambrientos como gordos. Los hambrientos comen basura en los basurales; los gordos comen basura en McDonald's.

El progreso infla. Rarotonga es la más próspera de las islas Cook, en el Pacífico sur, con asombrosos índices de crecimiento económico. Pero más asombroso es el crecimiento de la obesidad entre sus hombres jóvenes. Hace 40 años eran gordos 11 de cada 100. Ahora, son gordos todos.

Desde que China se abrió a esta cosa que llaman "economía de mercado", el menú tradicional de arroz con verduras ha sido velozmente desplazado por las hamburguesas. El gobierno chino no ha tenido más remedio que declarar la guerra contra la obesidad, convertida en epidemia nacional. La campaña de propaganda difunde el ejemplo del joven Liang Shun, que adelgazó 115 kilos el año pasado.


La frase más famosa atribuida a Don Quijote ("Ladran, Sancho, señal que cabalgamos") no aparece en la novela de Cervantes; y Humphrey Bogart no dice la frase más famosa atribuida a la película Casablanca (Play it again, Sam).

Contra lo que se cree, Alí Babá no era el jefe de los 40 ladrones, sino su enemigo; y Frankenstein no era el monstruo, sino su involuntario inventor.


A primera vista, parece incomprensible, y a segunda vista, también: donde más progresa el progreso, más horas trabaja la gente. La enfermedad por exceso de trabajo conduce a la muerte. En japonés se llama karoshi. Ahora los japoneses están incorporando otra palabra al diccionario de la civilización tecnológica: karojsatsu es el nombre de los suicidios por hiperactividad, cada vez más frecuentes.

En mayo de 1998, Francia redujo la semana laboral de 39 a 35 horas. Esa ley no sólo resultó eficaz contra la desocupación, sino que además dio un ejemplo de rara cordura en este mundo que ha perdido un tornillo, o varios, o todos: ¿para qué sirven las máquinas, si no reducen el tiempo humano de trabajo? Pero los socialistas perdieron las elecciones y Francia retornó a la anormal normalidad de nuestro tiempo. Ya se está evaporando la ley que había sido dictada por el sentido común.

La tecnología produce sandías cuadradas, pollos sin plumas y mano de obra sin carne ni hueso. En unos cuantos hospitales de Estados Unidos los robots cumplen tareas de enfermería. Según el diario The Washington Post, los robots trabajan 24 horas por día, pero no pueden tomar decisiones, porque carecen de sentido común: un involuntario retrato del obrero ejemplar en el mundo que viene.


Según los evangelios, Cristo nació cuando Herodes era rey. Como Herodes murió cuatro años antes de la era cristiana, Cristo nació por lo menos cuatro años antes de Cristo.

Con truenos de guerra se celebra, en muchos países, la Nochebuena. Noche de paz, noche de amor: la cohetería enloquece a los perros y deja sordos a las mujeres y los hombres de buena voluntad.

La cruz esvástica, que los nazis identificaron con la guerra y la muerte, había sido un símbolo de la vida en la Mesopotamia, la India y América.


Cuando George W. Bush propuso talar los bosques para acabar con los incendios forestales, no fue comprendido. El presidente parecía un poco más incoherente que de costumbre. Pero él estaba siendo consecuente con sus ideas. Son sus santos remedios: para acabar con el dolor de cabeza, hay que decapitar al sufriente; para salvar al pueblo de Irak, vamos a bombardearlo hasta hacerlo puré.


El mundo es una gran paradoja que gira en el universo. A este paso, de aquí a poco los propietarios del planeta prohibirán el hambre y la sed, para que no falten el pan ni el agua.


La Jornada, México, D.F., sábado 19 de octubre de 2002.

http://www.patriagrande.net/uruguay/eduardo.galeano/escritos/paradojas2.htm

Textos para el curso de Literatura Española e Hispanoamericana (1º. Semestre de 2008)

Misa del Gallo (Machado de Assis)

http://mais.uol.com.br/view/oi46ijrex6jm/la-misa-del-gallo--machado-de-assis-040270CCC16366?types=A&

Casa Tomada (Julio Cortázar)

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/casa-tomada--julio-cortazar-040264D0C16366?types=A&

La lengua de las Mariposas (Manuel Rivas)

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/la-lengua-de-las-mariposas--manuel-rivas-040268D0C16366?types=A&

El ahogado más hermoso del mundo (Gabriel García Márquez)

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/el-ahogado-mas-hermoso-del-mundo--gabriel-garcia-marquez-040272D0C16366?types=A

Funes, el Memorioso (Jorge Luis Borges)

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/funes-el-memorioso-040272D4C16366?types=A&

Emma Zunz (Jorge Luis Borges)

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/emma-zunz--jorge-luis-borges-040270D8C16366?types=A&

La salud de los enfermos - Julio Cortázar

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/la-salud-de-los-enfermos--julio-cortazar-040260DCC16366?types=A&

El Señor Medina - Iris Rivera

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/el-senor-medina--iris-rivera-040266DCC16366?types=A&

Dos palabras - Isabel Allende

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/dos-palabras--isabel-allende-04026CDCC16366?types=A&

Cartas de Mamá - Julio Cortázar

http://mais.uol.com.br/view/w9ti6w0ufg3j/cartas-de-mama--julio-cortazar-040268E0C16366?types=A&

 

Las chicas son todas iguales.
Música - Malo - Bebe

http://mais.uol.com.br/view/oi46ijrex6jm/malo--bebe-040260E0894366

Interesante para escuchar el acento andaluz. Además de que el tema el excelente.

El viaje en que Ernesto se convirtió en el Che (video)

http://www.clarin.com/diario/2007/10/08/conexiones/home.html

 

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